quarta-feira, 9 de junho de 2021

Acendalha lança open call para SUBBARRO - Orquestra de Instrumentos de Barro


Foi lançado o open call da Acendalha, associação cultural sediada em Paradela do Rio, Montalegre, para a constituição de uma orquestra composta por instrumentos de barro. Inspirado pelo trabalho de Hernan Vargas (México), o colectivo cultural pretende encetar um ciclo de oficinas de construção e improvisação musical que culminem com a criação de um colectivo com repertório próprio. Serão aceites candidatos com vários níveis de competência na área da cerâmica e da música, desde curiosos a profissionais. 

A primeira fase do SUBBARRO será uma oficina conduzida pelo formador Hernan Vargas, na qual serão estabelecidas as bases teóricas e práticas de construção dos instrumentos de sopro, percussão, cordas e esculturas sonoras. A partir desta oficina serão incorporados vários participantes da oficina no projecto total, sendo convidados a envolverem-se nas suas próximas fases de criação.

O ciclo de oficinas de construção e composição terão o acolhimento a Arte da Terra, uma casa/atelier/museu situada na freguesia de Paradela do Rio, concelho de Montalegre, já com longa atividade na cerâmica e promoção cultural em território rural, e mais além.

Findo o processo inicial de desenvolvimento das práticas de produção, a Acendalha desenvolverá o trabalho deste ensemble musical através de residências artísticas que explorem estratégias de criação colectiva, mediadas por um núcleo de músicos e ceramistas e culminem com uma apresentação pública do trabalho realizado. 

Os detalhes sobre o SUBBARRO podem ser consultados no formulário online no site da Acendalha e no evento de facebook dedicado. As inscrições estarão abertas até ao dia 4 de Julho.

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keiyaA, Jaimie Branch e Sara Serpa entre as propostas do gnration para os próximos meses

O gnration, em Braga, anunciou esta quarta-feira a programação dos próximos meses de 2021. A sétima edição do ciclo Julho é de Jazz, a nova exposição de Mark Fell e Rian Treanor e as apresentações de Rui Reininho e Gala Drop são algumas das propostas para o trimestre de julho a setembro. Em novembro, o gnration recebe a estreia de keiyaA em Portugal.

O programa de concertos arranca nos dias 8 e 9 de julho com o ciclo de concertos Julho é de Jazz, que este ano acolhe a trompetista Jaimie Branch para um espetáculo de apresentação dos dois tomos discográficos Fly Or Die, e a guitarrista americana Mary Halvorson, que dará a conhecer o trio Thumbscrew, composto por Tomas Fujiwara e Michael Formanek. Na véspera do fim de semana seguinte, a 15, o saxofonista Ricardo Toscano revisita o clássico A Love Supreme, de John Coltrane. No dia seguinte, o trompetista Luís Vicente estreia uma nova formação na companhia de John Edwards, John Dikeman e Onno Goevart. 

Antes, no dia 3 de Julho, a cantora e compositora portuguesa Sara Serpa apresenta Recognition: Music For a Silent Film, filme-concerto inserido na sétima edição do ciclo de conversas e cinema De que falamos quando falamos de racismo, antecedido por uma conversa com a artista que decorrerá em formato online a 1 de julho.

No programa expositivo, a convite do gnration e do Circuito, o artista multidisciplinar britânico Mark Fell e o produtor Rian Treanor, seu filho, apresentam Inter-Symmetry na galeria gnration. A exposição poderá ser visitada, gratuitamente, de 15 de julho a 25 de setembro, e dará a conhecer o resultado final do projeto que os dois artistas têm levado a cabo com utentes da CERCI Braga e um grupo de estudantes de artes visuais da Universidade do Minho.

Em setembro, Rui Reininho apresenta o seu próximo álbum em nome próprio, 20.000 Éguas Submarinas. Paulo Borges, Alexandre Soares , Pedro Jóia, Tiago Maia, Eduardo Lála, Ruca Rebordão, Moisés Fernandes, Daniel Salomé e Jacomina Kistemaker juntam-se ao vocalista dos GNR no dia 11 de setembro.

A 18 de setembro, o gnration estreia um novo ciclo de programação pensado para o formato online. Órbita inaugura com a colaboração artística entre o músico e compositor Sarnadas, que responde também como cantautor em Coelho Radioactivo, e a artista multidisciplinar Inês Castanheira

A encerrar o programa do próximo triemestre, a 25 de setembro, os lisboetas Gala Drop regressam ao gnration depois de terem estado em residência artística para a conceção de um novo trabalho. A banda, agora formada por Afonso Simões, Nelson Gomes e Rui Dâmaso, antecipa em palco um novo disco que porá fim a um interregno discográfico de sete anos.

Para o último trimestre do ano, no dia 28 de novembro, o gnration avança já a confirmação de keiyaA, coqueluche da nova soul americana que se estreia em Portugal com o seu aclamado disco de estreia, Forever, Ya Girl (2020).


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Electric Wizard, Weedeater e Pentagram no SonicBlast 2022

O SonicBlast regressa à vila de Caminho durante os dias 11, 12 e 13 de agosto de 2022. Depois de dois anos de pousio, devido à pandemia da covid-19, a décima edição do festival minhoto vai mudar-se para a Praia da Duna do Caldeirão, na freguesia de Âncora, e os primeiros 23 nomes do cartaz já são conhecidos.

Entre os destaques estão os ingleses Electric Wizard, nome maior do metal mais prolongado que regressa a Portugal depois de uma última passagem pelo Milhões de Festa, em Barcelos, em 2018, Weedeater e Pentagram, do americano Bobby Liebling. Também presentes vão estar os franceses Slift (o seu último disco, Ummon, é uma das surpresas de 2020), que se juntam a um certame composto ainda por 1000mods, W.I.T.C.H (We Intend to Cause Havoc), Meatbodies, Night Beats, Slift, Pigs Pigs Pigs Pigs Pigs Pigs Pigs, The Devil and the Almighty Blues, Frankie and the Witch Fingers, Mythic Sunship, The Machine, Psychlona, Tia Carrera, Toxic Shock, Green Lung, Bala, The Goners, Rosy Finch, Samavayo, Diva Heaven e We Hunt Buffalo.

O passe geral do SonicBlast Fest encontra-se disponível ao preço de 65€ até dia 31 de maio de 2022, subindo posteriormente para 75€ a partir de 1 junho 2022. Já os bilhetes comprados para a edição de 2021, continuam válidos para o SonicBlast 2022. 

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terça-feira, 8 de junho de 2021

Primeira edição da FEIA realiza-se a 11, 12 e 13 de junho no Núcleo A70


A primeira edição da FEIA vai decorrer nos dias 11, 12 e 13 de Junho de 2021, no Núcleo A70 - Lisboa. Espaço de encontro e de afirmação de uma forma de fazer, a FEIA é uma feira de edições fonográficas e um festival de músicos associados às editoras representadas. 

Organizada por um conjunto de colectivos ligados à música nas suas diferentes vertentes - músicos, promotores e editores - a FEIA revela uma enorme curiosidade pelo momento de efervescência que se tem assistido no que às edições fonográficas diz respeito.

Colectivos de dimensão muito variada têm sido capazes de editar trabalhos que apresentam uma qualidade superlativa, diversificados e que estabelecem a mais que urgente relação entre edição e apresentação ao vivo. A FEIA não poderia ficar indiferente a esta agitação e prontifica-se a ser a plataforma de aglutinação destes colectivos, proporcionando momentos de encontro entre as diferentes editoras, entre estas e os músicos e naturalmente e, o mais importante, entre todos os curiosos que gravitam em torno da música.



Até à data encontram-se confirmadas as seguintes editoras e auto-editores - A Besta | A Porta | Asimov + Vinil Expirience | Associação Terapêutica do Ruído | Chili Com Carne | Ciga239 | Clean Feed | Coletivo Farra | Cylinder Recordings | Discos Extendes | Edições Amateur | Eyal Talmor | Fungo— | Gruta | Infinita | Linha Amarela Produções | Lisbon Vinyl Cutters | Lovers & Lollypops | Naive | Nariz Entupido | No, She Doesn't | Panama Papers | Pássaro Vago | Phonogram Unit | Pipoca Tapes | Regulator Records | Revolve | Robalo | Rotten \ Fresh | Russian Library | Saliva Diva | Shhpuma | Sph | Spring Toast | Surf | SVS Records | Thisco Records | Tons to Tell | Trás-os-Montes Records | Variz | Wasser Bassin | Zabra | Zip-a-dee-doo-dah discos.

E os seguintes concertos, djs ou sessões de escuta sugeridos por algumas das editoras presentes: André Gonçalves | Asimov | Assafrão b2b Bhikha | Btw colours | Candy Diaz | Cardíaco | Conhecido João | Dj Baywatch b2b Dj Spielberg | Dj Fuk Newz | dUASsEMIcOLCHEIASiNVERTIDAS | Eyal Talmor | Eye-o | Filipe Felizardo | Floresta Oblíqua + Tropic Noir | Ghent | Giulio Samodi | José Lencastre + Jorge Nuno | Kara Konchar | Linha Amarela Soundsystem | Manipulador | Miguel Torga | Mmmnnnrrrg | Nuno Veiga | Ondaxoque | Projecções Astrais | Rochinha | Tellurian Urgencies | Tiger Picnic | Travassos | Violet.

As portas do Núcleo A70 estão abertas entre as 15 a as 22 horas, excepto a 11 de junho, em que as portas só abrem às 16 horas.

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A liberdade criativa de Limpe Fuchs à solta esta quinta-feira na SMUP Parede


A SMUP - Parede vai receber na próxima tarde de quinta-feira, 10 de junho, a atuação de Limpe Fuchs, reconhecida artista alemã que se move pelos meandros da música improvisada e experimental. Com um carreira ancorada numa liberdade criativa avessa a formalismos e estruturalismos pré-determinados, Limpe e o seu marido, Paul Fuchs - ambos membros originais da banda de Krautrock, Anima Sound - abraçaram uma forma de vida completamente livre, dedicando-se à agricultura e à construção de instrumentos como o Fuchshorn, o Fuchszither e o Fuchsbassna. Com o abandono dos Anima Sound na década de 80, Limpe dedicou-se a "fazer música enquanto ouve a passagem do tempo... com simplicidade e emoção".

Com recurso a diversos tipos de materiais, como madeira e pedras de granito em bruto, pratos em bronze juntamente com instrumentos de cordas de pêndulo, Limpe procura explorá-los como instrumentos de percussão, viola e voz, sintetizando o processo de audição através da exploração da música orgânica como parte integrante do quotidiano. 

As suas performances são desenvolvidas em tempo real, assumindo um compromisso intenso com a ecologia do espaço performativo, ao mesmo tempo que invoca uma atmosfera de um outro mundo, a partir dos sons e do silêncio que a rodeia. 


O evento, que tem tem o cunho da Frisom e da Nariz Entupidoserá complementado pela atuação de Vuduvum Vadavã (dj), uma das múltiplas personagens de Marta Ângela, metade dos prolíficos Von Calhau, e Camila Vale, jovem realizadora que apresentará um conjunto de curtas metragens. 

As portas abrem às 18 horas e os bilhetes têm o custo de 8€ para não sócios e 7€ para sócio SMUP.


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Dean Blunt anuncia aguardada sequela de 'Black Metal'


Está anunciado o sucessor de Black Metal: Dean Blunt vai editar a aguardada sequela do álbum de 2014 na próxima sexta-feira, dia 11 de junho. 

O anúncio chega um dia depois de Steve Goodman, o fundador da reputada editora inglesa Hyperdub que responde pelo nome de Kode9, ter partilhado uma fotografia de um outdoor com a capa do novo álbum, que deverá receber o selo da britânica Rough Trade, mítica editora de Geoff Travis que já havia lançado Black Metal.

Uma majestosa obra de pop híbrida, Black Metal assinalou um momento definitivo na carreira do elusivo produtor de Hackney. O álbum inclui contribuições da cantora e compoitora Joanne Robertson e samples de canções de Big Star Vivian Withers  ou The Pastels, cruzando arranjos orquestrais com batidas lânguidas e ecos dub de modo idiossincrático. Em 2019, a britânica Crack Magazine considerou-o o melhor álbum da década

Black Metal 2 já se encontra disponível para encomenda prévia no sítio oficial da Rough Trade (basta acederem aqui), que garante a sua edição física em vinil e CD a partir do próximo dia 22 de outubro.



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Kelman Duran, Vanishing Twin e Casper Clausen entre as novas confirmações para o Tremor 2021


São 27 os artistas que compõem a mais recente vaga de confirmações para o Tremor 2021. O festival açoriano regressa à ilha de São Miguel entre os dias 7 e 11 de setembro com um alinhamento que preserva grande parte dos nomes anunciados para a edição de 2020, cancelada devido à pandemia de covid-19. 

Angélica SalviClãConferência InfernoDirty Coal TrainLena D'ÁguaSamuel Martins CoelhoSensible Soccers e Solar Corona formam o luxuoso contingente nacional do cartaz, que inclui também atuações do produtor dominicano Kelman Duran (na foto), Casper Clausen (voz de Lima e Efterklang), Vanishing Twin, Warmduscher, Larry GusKo Shin Moon e MadMadMad. InSeCureFrankKazän, Luís Gil Bettencourt e Mário Raposo são os projectos açorianos alinhados para este ano.

No campo das residências artísticas, o festival apresenta as propostas de Jerry The Cat com a Escola de Música de Rabo de Peixe, o espetáculo inédito do projeto ondamarela com a Associação de Surdos da Ilha de São Miguel e a junção entre os guitarristas Norberto Lobo e Filho da Mãe e o baterista Ricardo Martins, numa criação que aliará música e intervenção visual. 

A venda de novos bilhetes para o festival encontra-se momentaneamente suspensa, limitando-de momento, aos portadores de bilhetes da edição 2020 que decidiram não pedir a sua devolução à data do cancelamento. 



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segunda-feira, 7 de junho de 2021

"F Word" antecipa álbum de estreia de MAF pela Monster Jinx


Embora uma presença regular no catálogo da Monster Jinx, Pedro Correia nunca lançou um projecto a solo connosco. Finalmente, isso está prestes a mudar e este single, acompanhado por vídeo, é o primeiro passo nesse caminho roxo de MAF.

Enquanto aguardamos pelo álbum Home (com data marcada para 9 de julho), MAF apresenta-nos “F Word”, o primeiro single, que é alternative R&B nu-disco sofisticada, envolta em future bass corpóreo e tudo aquilo a que o imaginário estético do produtor nos pode levar. Do sonhador e energético até mesmo ao provocador e aflitivo: Pedro é um mundo musical por descobrir. Um mundo representado visualmente por Ana Type Types, que ficou a cargo das capas do single e do álbum.

A música de MAF é mesmo como este “F Word”: uma música que é proibida e pesada, mas que inevitavelmente quer ser ouvida e dançada, tanto num club físico como imaginário.

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Oxford Drama em entrevista: "Sentimos que a abordagem cómica pode de alguma forma ajudar-nos a não cair na espiral moderna"

Quando pensámos no panorama da nova música independente e nas suas diferentes geografias, a Polónia não é, seguramente, um dos lugares que nos surgem de imediato à cabeça. O estado cada vez mais decadente da democracia e as fracas políticas ambientais (33 das 50 cidades mais poluídas da Europa situam-se na Polónia) pintam um cenário preocupante e em oposição aos valores europeus, mas por trás de todas as efemérides há uma saudável geração de músicos e artistas dos mais variados quadrantes a suscitar um justo e renovado interesse no país que nos deu notáveis como Krzysztof Penderecki ou Frédéric Chopin. No campo da música independente, os Oxford Drama são uma das propostas mais entusiasmantes.


Provenientes de Breslávia, a quarta cidade mais populada da Polónia, os Oxford Drama são o projeto de Małgorzata Dryjańska e Marcin Mrówka. O seu mais recente álbum, What's The Deal With Time?, é uma amostra bem-disposta de rock descomprometido e sem pretensões que introduz o par ao formato convencional de banda pela primeira vez. Com a adição de novos membros e a incorporação de instrumentação acústica em jogo (os registos anteriores limitavam-se ao uso de voz e sintetizadores), o grupo apresenta-se mais confiante e seguro do caminho que pretende seguir. O seu novo disco, editado no último mês de março, é uma carta de amor/ódio à tecnologia e aos efeitos desta na relação interpessoal moderna. 


A propósito do seu lançamento, estivemos à conversa com Dryjańska (que se dá pelo nome de Gosia) sobre o atual panorama musical da Polónia, o amor que o par nutre pela nova música americana (e o relicário que dedicaram a Mitski) e o processo que levou à concepção de What's The Deal With Time?.



Vamos começar pelo início: qual foi o teu primeiro contacto com música? Podes contar-me um pouco sobre o teu percurso?


O meu primeiro contacto consciente com a música foi provavelmente a ouvir Backstreet Boys e Spice Girls, agindo como se soubesse perfeitamente o que eles estavam a dizer. Além disso, através de uma qualquer osmose ou algo do género, conheci muitos êxitos pop de rádio quando era criança. O Marcin às vezes fica surpreendida por eu conseguir memorizar a letra de algumas canções aleatórias dos anos 90. Mas, falando a sério, comecei a tocar piano ainda em criança quando a minha irmã queria começar a ter aulas, por isso fui um bónus para a professora de piano. Gostei da experiência, mas só alguns anos depois como adolescente é que senti que quando ouço música me sinto mais como eu próprio, portanto quis confirmar se também conseguia fazer algo musical. É um amor sem fim pela música, no meu caso. Ainda acho fascinante o que as melodias e as palavras podem fazer comigo.


Quais são as ideias por trás de What's The Deal With Time? 


What's The Deal With Time? é um álbum conceptual focado na relação de uma pessoa moderna com ela mesma e com as outras pessoas, assim como a sua relação com o mundo moderno e em constante mudança. É uma carta de amor/ódio à tecnologia e ao facto de esta ser ao mesmo tempo útil e perturbadora. Através do humor, tentámos descrever tópicos sérios de uma maneira não tão séria, visto que sentimos que, por vezes, a abordagem cómica pode de alguma forma ajudar-nos a não cair na espiral moderna.


Podes falar-me um pouco sobre como foi o processo de gravação? 


Trabalhar neste álbum levou-nos cerca de dois anos. O que é engraçado nisto é que o trabalho de composição do What's The Deal With Time? foi muito rápido, muito inspirador e enérgico. Numa questão de meses tínhamos o alinhamento completo do disco, com demos muito desenvolvidas. Todo o conceito do álbum estava lá, e depois entrámos na fase da produção e as coisas não foram assim tão perfeitas. Deixa-me dizer que a lua de mel acabou por aí [risos]. Lutámos um pouco por algum tempo. Foi fascinante assistir ao Marcin, que produziu o álbum, porque na cabeça dele ele sabia exatamente o que estava à procura, e esforçou-se imenso para trabalhar até encontrar as peças que faltavam. Mas valeu a pena. Somos totalmente doidos quando se trata de perfeccionismo, mas vencemos a batalha. E depois de quase dois meses após o lançamento do álbum não mudaríamos nada, honestamente.


O que mudou, criativa e pessoalmente, desde os anteriores álbuns In Awe e Songs?


Estamos mais velhos, isso é certo [risos]. Acho que trabalhámos muito para estar numa posição em que finalmente sabemos exatamente como transferir o que temos nas nossas cabeças para o que pode ser ouvido nas nossas músicas. Sempre quisemos que as guitarras tomassem a dianteira, mas quando começámos a tocar não tínhamos os meios [necessários], era mais fácil tocar em dupla com sintetizadores do que com instrumentos acústicos. Foi também o espírito da altura. Agora, graças aos nossos queridos amigos que tocam connosco ao vivo, começámos a escrever músicas para mais mãos, e finalmente os instrumentos acústicos são as estrelas do espetáculo. E o que mudou pessoalmente? É sempre exigente, de certo modo, trabalhar com a tua alma gémea, mas temos uma melhor comunicação com a banda e queremos ser cada vez melhores nisso. É fixe porque ambos fazemos o que é mais fácil para nós, nós meio que nos complementamos um ao outro. É um grande elogio ouvir “oh uau, vocês tiveram uma ideia que eu nunca teria pensado e é ótima!”.


Vocês tocam um tipo de música com grande expressão na América, mas não propriamente na Europa – muito menos na Polónia, suponho. O que vos fez querer seguir esse caminho? E como é que têm visto a evolução do panorama musical de Breslávia?


Tocar este tipo de música indie pop com guitarras é algo que nos sai naturalmente. Suponho que seja porque nos alimentámos de muita música americana desde que éramos adolescentes, mas não apenas americana, porque sempre houve muitas bandas britânicas, australianas ou canadianas nas nossas vidas. Escrevo letras em inglês porque é uma língua que está na minha vida desde o início, simultaneamente com o polaco. Sempre foi a minha principal língua criativa. Portanto, não é o resultado de algum cálculo que nos poderia trazer mais fãs ou dinheiro [risos], simplesmente quisemos fazer sempre o que sentimos ser verdadeiro para nós.  


Ficamos especialmente gratos por haver cada vez mais bandas a formar-se na nossa cidade, em Wroclaw, muitas delas compostas pelos nossos queridos amigos. É ótimo porque poderá surgir daqui algum tipo de cena musical e isso é extremamente excitante! Sempre quisemos que isso acontecesse, para ser honesta.


Sentem uma ligação especial com o cancioneiro independente americano? Noto uma certa associação a selos como a Saddle Creek ou a Dead Oceans.


Sim, quer dizer, o Bury Me at Makeout Creek da Mitski é um ótimo álbum e ela tem uma espécie de relicário na nossa casa [risos]. Estou a brincar, a sério! Big Thief é uma banda que também nos chamou a atenção há uns anos, Bright Eyes são uma banda que conhecemos recentemente. Amamos aquela vibe, há uma certa naturalidade e até crueza que nos agrada. Interessa-nos a música indie americana moderna, mas também a de décadas anteriores.


Os temas do vosso disco têm merecido tempo de antena em rádios como a BBC Music 6 e a KEXP, e o single "Not My Friend” até recebeu um aceno positivo do Henry Rollins [do lendário grupo punk norte-americano Black Flag]. Como têm acolhido esta calorosa receção? 


É um sonho, um sonho que se tornou realidade e ainda não conseguimos acreditar. Os nossos eus adolescentes meio que deram um high five aos nossos eus adultos.


Como vão ajustar o lançamento do disco ao contexto pandémico? Podemos esperar concertos para os próximos tempos?


Adoraríamos e temos planos para o fazer. Já tocamos dois espetáculos em rádios na Polónia com o último álbum, sem público, mas foi ótimo. Mal podemos esperar para tocar mais na Polónia e espero que possamos voltar à estrada, talvez fora do nosso país também. Dedos cruzados!



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quarta-feira, 2 de junho de 2021

STREAM: Daniel Catarino - Isolamento Voluntário?


Editado na passada quinta-feira pela Saliva DivaIsolamento Voluntário? é o novo disco de Daniel Catarino, mas não estava pensado para o ser. As canções foram surgindo quase como diário cronológico do autor alentejano durante a pandemia, com o intuito de escamotear os momentos em que cada uma delas sentiu necessidade de nascer.

"Não tenho mais medo de morrer do que ontem" e "Um cruzeiro sem embarque" abordam dúvidas e receios do início do confinamento, "Candidatura" e "Coração Muito Estreito de Gibraltar" são olhares preocupados com a sobrevivência e a liberdade. "Conversa de Cama / Bom Dia", que é lançada em simultâneo com o disco, resume a esperança e o delírio que se instalaram desde março de 2020. Ao desaguar no caos, este final tanto é epílogo do ontem como prólogo do amanhã.

Se em Sangue Quente Sangue Frio se destacavam os instrumentos acústicos, em Isolamento Voluntário? entramos no campo de um indie rock que pisca o olho ao psicadelismo e à música de intervenção. A isto não são indiferentes as participações do disco: Nuno Markl, Inês Barbosa, Pedro Pestana (10 000 Russos, Tren Go! Sound System), João Baião (Amanita Ponderosa), Joel Fausto (Omitir), Xinês (Awaiting The Vultures), Rapaz Improvisado e Eddie Santos emprestaram à distância as suas vozes e talentos a estas canções em que, à imagem dos trabalhos anteriores, Daniel Catarino usa as palavras para traçar retratos poéticos e viscerais.

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Nick Cave, Pavement e Tame Impala no NOS Primavera Sound 2022


O prometido é devido: voltaremos a dançar em 2022. Depois de ter sido adiada por duas vezes, a nona edição do NOS Primavera Sound terá lugar durante três dias, entre 9 e 11 de junho, no Parque da Cidade do Porto.  

O cartaz, revelado esta quarta-feira, é uma mistura entre nomes que já constavam no alinhamento deste ano e novas adições. Nick Cave and The Bad Seeds, que não entravam nas contas da edição de 2021, são a principal novidade. O grupo australiano, que viu a digressão europeia que o traria a Portugal cancelada, tem reencontro marcado com o Porto depois de uma emotiva passagem pelo festival em 2018. Pavement, Tame Impala, Beck e Gorillaz também encabeçam o alinhamento, que em breve terá mais confirmações, adianta a organização.

Relativamente ao cartaz que tinha sido anunciado para este anoTyler, The Creator, Bad Bunny, Doja Cat e FKA twigs são algumas das baixas mais significativas. Entre as novidades alinhadas para 2022, para além de Nick Cave and The Bad Seeds, contam-se, entre outros, os nomes de Slowdive, Japanese BreakfastBeach Bunny e a cantora luso-americana Sky Ferreira, que volta ao festival onde atuou pela última vez em 2014.

Black Midi, King Krule, C. Tengana, Bad GyalEarl Sweatshirt, JawboxKim GordonCaroline Polacheck, Rina Sawayama, Pabllo VittarAvalon Emerson 100 gecs são outros dos mais de 60 artistas que estarão no Parque da Cidade em 2022. Entre os artistas anunciados estão também os portugueses Pedro MafamaDavid Bruno, Nídia, Montanhas Azuis, Rita Vian e Throes + The ShineConsulta a programação completa aqui.

Tal como aconteceu no ano passado, os bilhetes adquiridos para as edições de 2020 e 2021 são válidos para a edição 2022. Para isso, é obrigatório efectuar a troca do bilhete do NOS Primavera Sound 2020 ou 2021 por um bilhete válido para a edição de 2022. Esta troca deverá ser feita no ponto de venda onde foi adquirido, a partir do dia da abertura da venda para 2022 e até ao dia 31 de Dezembro de 2021, não tendo qualquer custo associado.


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Sensible Soccers e Angélica Salvi nas primeiras confirmações do Festival A Porta

© Ricardo Graça

Leiria vai voltar a dançar, já nos três primeiros fins-de-semana de julho. A ocasião? 

O regresso do Festival A Porta, que traz consigo um contigente maioritariamente nacional, onde se destacam as presenças de Sensible Soccers, Sunflowers e Yakuza. Além destes coletivos, fazem também parte do alinhamento nomes como a harpista Angélica Salvi, a cantautora Arianna Casellas, a colaboração entre Dada Garbeck e Ricardo Martins, a experimentalista vocal Ece Canli, o instrumentista Braima Galissá, o projecto Herlander e o violinista Samuel Martins Coelho

Confirmado está também um ciclo de cinema documental que integrará três filmes do cineasta Pedro Neves. Documentarista e jornalista freelancer, Neves é conhecido pelo seu trabalho especialmente conectado com a representação de histórias ligadas a comunidades e por uma obra marcada por questões sociais e políticas prementes. N’A Porta serão exibidos: Os Esquecidos (2009), Acima das Nossas Possibilidades (2014), filme integrado no Projecto Troika, e a longa metragem Tarrafal (2016).

Com um alinhamento e ocupação de espaço adaptados às novas circunstâncias que se vivem no país, o evento voltará a agregar a música, a criação colaborativa e a activação de espaços e memórias comuns através da cultura, tendo como ponto central a Villa Portela, localizado no coração da cidade, datado do final do século XIX e com mais de 17.000 metros de espaço verde.

Para além da música e da criação artística, A Porta 2021 integrará ainda conversas e um programa para famílias. A sexta edição decorrerá assim nos dias 2, 3, 4, 9, 10, 11, 16, 17 e 18 Julho, com novos detalhes do alinhamento a serem anunciados nas próximas semanas.

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